(Lamentações de Jeremias 2:15)
Desde o primeiro instante daquele dia, eu sabia que aquela seria a última vez que a veria.
Há coisas que são captadas no ar, por gestos, palavras e até tom de voz. Por mais insensível que pareça ser às vezes, neste dia eu pude pressentir a desgraça mesmo antes de acontecer. (Não quero parecer trágica, foi até "bonito").
Eu gostava tanto dela - embora só tenha percebido isso ao perdê-la - porém a situação já estava insustentável, não éramos como um ligação química inquebrável.
Ela, rude. Eu, indiferente.
Apesar de tudo, ela continuava sendo a coisa mais bonita que me aconteceu.
Naquele sábado, fiz questão de olhá-la de perto, analisá-la a fundo e guardar aquele olhar num lugar bem diferente do que havia guardado todo o resto. Sabia que ela havia se esquecido de nossos melhores momentos, e eu me esquecido onde havia guardado aquela caixinha de melhores lembranças que jurei nunca perder.
Agora já não sei onde está.
E duvido que ela me lembre o nome. Também me fugiu da memória o seu.
Aliás, nem sei se realmente existiu.
O que me intriga é que não sei como, reciclando meu pensamento hoje pela manhã, encontrei esses dois olhos num canto tão escondido, tão secreto, que deveria ser importante. Me culpo de ter guardado apenas eles.


5 Comments:
Usar a bíblia foi foda!
Você tá bem?
Ana, pegar trechos isolados e tentar alguma interpretação proveitosa não é de todo mal!
Você deveria tentar!
A Bíblia é um texto literário muito bem escrito que,se não fosse tão fantasioso e obscuro (haha),seria até gostoso de ler!
Ulisses, até eu escrevo um livro melhor que a bíblia!
Nem é grande coisa assim!
Mas, you know! Tradutores fazem milagres!
Bem, não vou bancar a herege que fica horrivel!
Esses olhos parecem com os da Clarice Lispector... São?
** Saudade docê **
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